Seresco: meio século de história

Com várias décadas de experiência tanto em consultadoria como no desenvolvimento e integração de soluções tecnológicas à medida, tal como no outsourcing tecnológico, a Seresco é hoje um fornecedor global de soluções no âmbito das tecnologias da informação com presença na Península Ibérica, com escritórios próprios em Lisboa, e sucursais no Equador e na Costa Rica.

No ano em que completa, precisamente, meio século de atividade no mercado ibérico, e para assinalar o importante marco, a Seresco reuniu mais de 500 clientes, parceiros e colaboradores de todos os países onde tem presença, num evento que teve lugar em Oviedo, Espanha. A Líder esteve presente e entrevistou o líder responsável por todo o sucesso da empresa: o diretor-geral, Manuel Ángel Busto Riego.

A missão da Seresco permanece inalterada depois de meio século de história?

Manuel Ángel Busto Riego (MABR): A nossa missão nasceu em 1969, num pequeno centro de cálculo que se propunha a prestar serviços de qualidade aos seus clientes de forma a facilitar-lhes o dia-a-dia, e que conseguiu navegar com mais ou menos dificuldade ao longo dos anos e das ondas de acontecimentos que marcaram este meio século: as guerras, as crises económicas globais, a crise do próprio setor de TIC, a mudança da moeda de escudos para o euro e mais recentemente as mudanças de paradigma, com a chegada da Internet, do digital, das redes sociais, e mais recentemente da IA, da Realidade Aumentada, da Cloud e outras tantas tecnologias que mudaram a forma de vermos o mundo, de sermos e atuarmos sobre ele.
Posso dizer que hoje temos como principais ativos os muitos clientes que valorizam os nossos serviços e um património de 700 pessoas, que são o coração da nossa empresa. Estes são os ativos com os quais alcançamos o nosso 50.º aniversário, não como um objetivo, mas como o sinal de partida para uma nova etapa na qual continuaremos a evoluir e mantemos a nossa missão inicial: servir a nossa comunidade, os nossos parceiros e clientes.

O seu estilo de liderança foi mudando de acordo com a evolução da empresa ou continua a ser o mesmo estilo desde o primeiro dia?

MABR: Acreditamos que na sua base o estilo é o mesmo, as linhas de atuação que nos têm pautado e que nos trouxeram hoje aqui permanecem fiéis e tem sido talvez o segredo do nosso sucesso. E concluímos isso, em primeiro lugar, graças aos clientes muito leais da nossa organização. Entendemos que a nossa forma de liderar deverá estar correta e vai ao encontro do que estes mesmos clientes pretendem, querem e esperam, porque connosco se mantêm. Em segundo lugar, graças a um grupo de profissionais que tem mudado ao longo da história, mas entre os quais encontramos ainda hoje muitos, e que se mantiveram fiéis à nossa empresa, com o compromisso, conhecimento e profissionalismo que permite aos clientes valorizar muito os nossos serviços. Além disso, e em terceiro, porque continuamos a inovar – esta palavra é a chave – mas inovamos porque previmos as necessidades potenciais dos nossos clientes.

Quais são os valores corporativos da Seresco que mais destaca?

MABR: Uma empresa com 50 anos de história tem vários valores, todos eles igualmente importantes, mas o que sempre mencionamos primeiro, poderemos dizer que por isso é o que se destaca, é a nossa fidelização, precisamente à nossa missão, aos nossos valores, aos nossos clientes e equipa. Sempre mantivemos uma vocação de serviço para os nossos clientes, nunca fomos especulativos e mantemos uma aspiração de longo prazo, baseada numa série de pontos-chave: compromisso e orientação ao cliente, orientação aos nossos funcionários, inovação dos nossos produtos e serviços, qualidade, formação e aprendizagem continuas.

Ao longo dos seus 50 anos de existência, a Seresco testemunhou várias inovações digitais e tecnológicas. Quais foram as mudanças que mais impactaram no negócio da empresa?

MABR: Enfatizando que, precisamente, a nossa empresa tem sido capaz de superar, navegar e encarar todas as mudanças que surgiram ao longo da história, nestes 50 anos acredito que os grandes desafios são os da transformação digital e da quarta revolução industrial, também chamada Industry 4.0. O Big Data, a Internet of Things (IoT), o Cloud Computing e, acima de tudo, transversalmente, as necessidades de cibersegurança. Estes temas serão fundamentais para o desenvolvimento dos serviços oferecidos pela nossa empresa e também dos serviços que recebemos, exigido pelas empresas clientes. E não apenas para empresas de tecnologia, mas para todos os tipos de empresas em todos os setores; e também de todos as dimensões, grandes e pequenas, porque não podemos criar uma economia de duas velocidades. É muito importante não perder de vista o facto de que, nessa rastreabilidade da economia, as grandes empresas são tão importantes quanto, é claro, as pequenas.

Quais são os marcos ou realizações da Seresco que recorda de uma forma especial?

MABR: Lembro-me de quando trabalhávamos e respondíamos aos nossos clientes com o recurso a grandes estações de trabalho que nos ocupavam muito espaço e não tinham nem um terço das capacidades dos computadores e portáteis de hoje, conectados por um cabo. Passamos pela era do PC e lembro-me muito bem quando criámos os nossos próprios produtos para fornecer serviços de gestão de processamento de salários. Também me lembro de grandes contratos de cartografia ou captura de dados, em Espanha, grandes operações de desenvolvimento de software para clientes que recebiam transferências nas Comunidades Autónomas Espanholas. E assim chegámos até hoje, onde tudo isso é feito quase como no começo. Ou seja, pessoas que trabalham com soluções e serviços para clientes. Só que agora, em vez de existirem grandes computadores na mesa com cabos conectados a um grande servidor, fazemos isso de qualquer lugar com um tablet, um telemóvel ou um PC; e conectado a algo que não pode ser visto, porque estamos a falar de grandes infraestruturas colocadas na cloud e grandes servidores de centros de processamento de dados. Isso torna o serviço omnipresente, mas igualmente interessante.

Que desafios a Seresco enfrentará no futuro e num mundo cada vez mais global e digitalizado?

MABR: Cumprir 50 anos é um grande objetivo na nossa história, que atingimos com sucesso. Mas é o objetivo de um primeiro estágio. O nosso objetivo é, precisamente, alcançarmos o sucesso com mais meio século. Temos muitos compromissos com os nossos funcionários e clientes, amigos que estão connosco há muitos anos e dos quais queremos continuar a ser parceiros na sua transformação digital, nos próximos anos. Temos como desafios assumidos, que de nós dependem, a manutenção da lealdade dos nossos clientes e funcionários, a inovação dos nossos serviços e o respeito do mercado. A fidelidade que merecemos, significará uma exigência e desafios acrescidos: o de inovar, antecipar e sermos muito transparentes nas relações com os nossos clientes.
Também alguns dos grandes desafios tecnológicos do nosso tempo, que nos são externos, mas que aceitamos e seguimos. Os nossos serviços precisam de estar imersos em todos esses temas chave da nossa era e da mudança de paradigma: o Big Data, a análise de dados, a segurança cibernética, a omnipresença… Em suma, antecipar com as nossas soluções as necessidades dos nossos clientes e do mercado.