Quer mudar o comportamento das pessoas na sua organização?

Sabia que as equipas de trabalho (uso indistintamente a palavra equipa e grupo) funcionam como agentes de mudança da sua própria dinâmica e, consequentemente, dos membros que dela fazem parte?

Para exemplificar esta situação tenhamos em atenção a experiência conduzida por Kurt Lewin (psicólogo alemão, conhecido como um dos pioneiros modernos da psicologia social, organizacional e aplicada nos Estados Unidos) e pela sua equipa de colaboradores, que ocorreu por solicitação do governo norte-americano, tendo em vista a modificação dos hábitos alimentares da população americana durante a II Grande Guerra Mundial.

Perante a ineficácia dos métodos de propaganda tradicionais na alteração dos hábitos instituídos, Kurt Lewin e colaboradores empreenderam uma série de estudos, nomeadamente o que apresentamos de seguida, com o pressuposto de que se o processo que conduz à mudança de valores fosse realizado em grupo teria mais impacto e seria mais duradouro.

Para prevenir problemas de má nutrição, era necessário que as donas de casa americanas cozinhassem pedaços de carne considerados menos “nobres” (coração, tripas, rins, etc.). Lewin constatou que eram as donas de casa que representavam o elemento de decisão em toda a compra de carne consumida pelas famílias. Decidiu então atuar sobre pequenos grupos de donas de casa. Ao iniciar os trabalhos, Lewin e a sua equipa de colaboradores encontraram-se diante do seguinte problema: ou acentuavam as características positivas do consumo de carnes consideradas menos “nobres”, ou diminuíam as reticências diante desses alimentos julgados negativamente. Reuniu várias equipas, cada uma com cerca de 15 elementos, com a seguinte intenção: em metade dessas equipas, especialistas qualificados (médicos, nutricionistas, etc.) explicavam como e porque se deveria comer tais pedaços de carne. Os resultados obtidos não foram satisfatórios, pois só cerca de 3% dos membros dos grupos aceitaram realmente as informações modificando os seus hábitos alimentares. Na outra metade das equipas, os investigadores colocaram um problema aos participantes: “Tendo em atenção a difícil situação económica com grave escassez de carne, de que modo é possível mudar o consumo para que haja disponibilidade de carne para toda a população?”. A seguir a esta questão deixou a discussão desenvolver-se sem qualquer tipo de intervenção da parte deles, exceto para fornecer informação quando era solicitada. Essas discussões permitiam a cada dona de casa a possibilidade de falar do seu próprio comportamento, analisar as suas atitudes, etc. Ficou para todas claro que a sua recusa se devia a receios subjetivos e preconceitos que poderiam ser facilmente ultrapassados. Resoluções foram tomadas em comum, e as participantes comprometeram-se a modificar os seus hábitos alimentares, através de um simples gesto (levantar a mão) para testemunhar a sua decisão. Este gesto (levantar a mão) foi determinante, já que 32% de entre elas servira, efetivamente, os pedaços menos nobres.

Conclusão: apesar desta experiência ter já alguns anos, continua válida. Nunca se esqueça do poder que as equipas têm na sua organização e sobre os elementos que as constituem, use-o da melhor forma.

Por: Ana Pinto, professora universitária e consultora em recursos humanos